GEE Francisco de Assis

Atos 

Paulo e a cidadania Romana

22  Eles o escutaram até essas palavras. Então levantaram a voz, dizendo: “Eliminem este homem da terra, pois não merece viver!”23  Visto que gritavam, jogavam em volta suas capas e lançavam poeira para cima,+ 24  o comandante militar mandou levar Paulo para dentro do quartel e ordenou que fosse interrogado debaixo de açoites, para saber exatamente por que eles estavam gritando assim contra ele. 25  Mas, depois que o amarraram para receber as chicotadas, Paulo perguntou ao oficial do exército que estava ali: “A lei permite que vocês açoitem um romano* que não foi condenado?”*+ 26  Quando o oficial ouviu isso, foi contar ao comandante, e lhe disse: “O que o senhor pretende fazer? Esse homem é romano!” 27  De modo que o comandante se aproximou dele e disse: “Diga-me, você é romano?” Ele respondeu: “Sim.”28  O comandante disse então: “Eu comprei esses direitos de cidadão com muito dinheiro.” Paulo disse: “Mas eu já nasci com esses direitos.”+29  Com isso, os homens que estavam prestes a interrogá-lo e torturá-lo recuaram imediatamente. E o comandante ficou com medo ao saber que ele era romano e que o havia acorrentado.+30  Assim, no dia seguinte, querendo saber ao certo por que ele estava sendo acusado pelos judeus, soltou-o e mandou que os principais sacerdotes e todo o Sinédrio se reunissem. Então ele trouxe Paulo para baixo e o colocou de pé no meio deles. 


23 Olhando atentamente para o Sinédrio, Paulo disse: “Homens, irmãos, eu me comportei perante Deus com uma consciência perfeitamente limpa+ até hoje.” 2  Em vista disso, o sumo sacerdote Ananias mandou que os que estavam perto dele lhe batessem na boca. 3  Paulo lhe disse então: “Deus baterá em você, parede caiada.* Você se senta para me julgar segundo a Lei e ao mesmo tempo viola a Lei, mandando que me batam?” 4  Os que estavam ali disseram: “Você está insultando o sumo sacerdote de Deus?” 5  E Paulo respondeu: “Irmãos, eu não sabia que ele era o sumo sacerdote. Pois está escrito: ‘Não fale mal de uma autoridade do seu povo.’”+6  Paulo, sabendo que uma parte deles eram saduceus, mas outra parte eram fariseus, disse bem alto no Sinédrio: “Homens, irmãos, eu sou fariseu,+ filho de fariseus. É por causa da esperança da ressurreição dos mortos que estou sendo julgado.” 7  Ao dizer isso, surgiu uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e a assembleia ficou dividida. 8  Pois os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, mas os fariseus aceitam*todas essas coisas.+ 9  Assim, começou uma grande gritaria, e alguns dos escribas do partido dos fariseus se levantaram e se puseram a protestar energicamente: “Não achamos nada de errado neste homem; e, se um espírito ou um anjo falou com ele+ . . .”10  Então a discussão se intensificou, e o comandante militar, com medo de que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou que os soldados descessem, o arrancassem do meio deles e o levassem ao quartel.11  Mas, naquela noite, o Senhor apareceu ao lado dele e disse: “Tenha coragem!+ Pois, assim como você deu um testemunho cabal sobre mim em Jerusalém, terá de dar testemunho também em Roma.”+12  Quando o dia amanheceu, os judeus formaram uma conspiração e se comprometeram, sob maldição, a não comer nem beber nada até matarem Paulo. 13  Foram mais de 40 homens que fizeram essa conspiração sob juramento. 14  Esses homens se dirigiram aos principais sacerdotes e aos anciãos, e disseram: “Nós nos comprometemos solenemente, sob maldição,* a não comer nada até matarmos Paulo. 15  Portanto, vocês, junto com o Sinédrio, devem dizer ao comandante militar que o traga para baixo, para comparecer diante de vocês, como se quisessem examinar mais detalhadamente o caso dele. Mas, antes que ele se aproxime, estaremos prontos para matá-lo.”16  No entanto, o filho da irmã de Paulo soube da emboscada que estavam planejando; ele entrou no quartel e contou tudo a Paulo. 17  Assim, Paulo chamou um dos oficiais do exército e disse: “Leve este jovem ao comandante militar, pois ele tem algo para lhe comunicar.” 18  Ele o levou então ao comandante militar, e disse: “O prisioneiro Paulo me chamou e pediu que eu trouxesse este jovem ao senhor, porque ele tem algo para lhe dizer.” 19  O comandante militar o pegou pela mão, o levou à parte e lhe perguntou: “O que você tem para me contar?” 20  Ele respondeu: “Os judeus combinaram pedir ao senhor que faça Paulo descer ao Sinédrio amanhã, como se quisessem saber mais detalhes sobre o caso dele.+ 21  Mas não deixe que eles o convençam, pois mais de 40 deles planejam ficar de emboscada contra Paulo, e eles se comprometeram, sob maldição,* a não comer nem beber nada até que o tenham matado.+ Agora eles estão prontos, esperando que o senhor atenda ao pedido deles.” 22  Assim, o comandante militar deixou o jovem ir embora, mas antes lhe ordenou: “Não diga a ninguém que você me contou isso.”23  Então ele convocou dois oficiais do exército e disse: “Aprontem 200 soldados, 70 cavaleiros e 200 lanceiros para irem até Cesareia à terceira hora da noite.* 24  Também, providenciem cavalos para Paulo montar, a fim de levá-lo em segurança a Félix, o governador.” 25  E ele escreveu uma carta que dizia:26  “Cláudio Lísias a Sua Excelência, o governador Félix. Saudações! 27  Este homem foi agarrado pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles, mas eu vim rapidamente com meus soldados e o resgatei,+ porque fiquei sabendo que ele era romano.+ 28  Então, querendo descobrir a razão por que o acusavam, eu o levei ao Sinédrio+ deles. 29  Verifiquei que ele estava sendo acusado por questões da Lei deles,+ mas não foi acusado de nem uma única coisa que merecesse morte ou prisão.30  No entanto, visto que me foi revelada uma conspiração contra o homem,+ eu o estou enviando imediatamente a Vossa Excelência e mandando que os acusadores falem na sua presença o que têm contra ele.”31  Assim, segundo as ordens que receberam, os soldados pegaram Paulo+ e o levaram de noite até Antipátride. 32  No dia seguinte, deixaram os cavaleiros prosseguir com ele e voltaram para o quartel. 33  Os cavaleiros entraram em Cesareia, entregaram a carta ao governador e também lhe apresentaram Paulo. 34  Então o governador leu a carta e perguntou de que província ele era; foi informado de que era da Cilícia.+ 35  “Eu ouvirei todo o seu caso”, disse ele, “quando chegarem os seus acusadores”.+ E mandou que ele ficasse detido no palácio* de Herodes.

24 Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias+ desceu com alguns anciãos e um orador* chamado Tértulo, e eles apresentaram ao governador+ queixa contra Paulo. 2  Ao ser chamado, Tértulo começou a acusação, dizendo:“Desfrutamos de grande paz por meio de Vossa Excelência, e pela sua prudência se realizam reformas nesta nação; 3  em todas as ocasiões e também em todos os lugares, nós reconhecemos isso, Excelentíssimo Félix, com muita gratidão. 4  Mas, para não tomar mais do seu tempo, solicito que, na sua bondade, nos ouça brevemente. 5  Pois nós constatamos que este homem é uma praga*+ e atiça sedições+ entre todos os judeus, por toda a terra habitada, e ele é um dos líderes da seita dos nazarenos.+6  Ele também tentou profanar o templo; então nós o agarramos.+7  *—— 8  Vossa Excelência, quando o interrogar, verificará todas essas coisas de que o acusamos.”9  Então os judeus também apoiaram a acusação, garantindo que essas coisas eram verdade. 10  Quando o governador lhe acenou com a cabeça para que falasse, Paulo respondeu:“Sabendo muito bem que esta nação o tem como juiz há muitos anos, falo prontamente em minha defesa.+ 11  Como Vossa Excelência pode verificar por si mesmo, não faz mais de 12 dias que subi para adorar em Jerusalém.+ 12  E eles não me encontraram discutindo com ninguém no templo, nem atiçando uma turba nas sinagogas ou em outro lugar da cidade. 13  Nem podem lhe provar as acusações que estão fazendo contra mim agora. 14  Mas eu admito o seguinte: é segundo o caminho que eles chamam de seita que eu presto serviço sagrado ao Deus dos meus antepassados,+crendo em tudo que está declarado na Lei e que está escrito nos Profetas.+ 15  E eu tenho esperança em Deus, esperança que esses homens também têm, de que haverá uma ressurreição+ tanto de justos como de injustos.+ 16  Por causa disso, eu sempre me esforço para manter uma consciência limpa* diante de Deus e dos homens.+ 17  Depois de vários anos, vim a Jerusalém para trazer uma contribuição*+ à minha nação e fazer ofertas.18  Enquanto eu cuidava desses assuntos, eles me encontraram cerimonialmente puro no templo,+ mas não com uma multidão nem causando tumulto. No entanto, lá havia alguns judeus da província da Ásia 19  que deviam estar presentes diante de Vossa Excelência para me acusar, se realmente tivessem algo contra mim.+ 20  Ou, que estes homens aqui digam que crime acharam em mim quando eu estava perante o Sinédrio. 21  A não ser que se trate desta única frase que clamei quando estava no meio deles: ‘É por causa da ressurreição dos mortos que hoje estou sendo julgado diante dos senhores!’”+22  No entanto, visto que Félix estava bem informado a respeito desse Caminho,+ adiou a questão, dizendo: “Quando Lísias, o comandante militar, descer, decidirei essas questões de vocês.”23  Ele ordenou então ao oficial do exército que o mantivesse preso, mas que lhe desse certa liberdade e permitisse que os do seu povo cuidassem de suas necessidades.24  Alguns dias depois, Félix veio com Drusila, sua esposa, que era judia; mandou buscar Paulo e o ouviu falar sobre a crença em Cristo Jesus.+ 25  Mas, quando Paulo começou a falar sobre a justiça, o autodomínio e o julgamento por vir,+ Félix ficou com medo e disse: “Por enquanto, pode se retirar, mas, quando eu tiver uma oportunidade, mandarei buscá-lo novamente.” 26  Ao mesmo tempo, esperava que Paulo lhe desse dinheiro. Por isso mandava buscá-lo ainda mais frequentemente e conversava com ele.27  Mas, passados dois anos, Félix foi sucedido por Pórcio Festo; e, visto que desejava ganhar o favor dos judeus,+ Félix deixou Paulo na prisão.

25 Então, três dias depois de chegar à província e assumir o governo, Festo+ subiu de Cesareia a Jerusalém. 2  E os principais sacerdotes e os homens mais importantes dos judeus lhe apresentaram acusações contra Paulo.+ Começaram a pedir insistentemente a Festo 3  que lhes fizesse o favor* de mandar trazer Paulo para Jerusalém. Mas eles estavam armando uma emboscada para matá-lo na estrada.+ 4  No entanto, Festo respondeu que Paulo deveria continuar detido em Cesareia e que ele mesmo voltaria para lá em breve. 5  “Portanto”, disse ele, “desçam comigo alguns dos líderes de vocês e o acusem, se é que o homem fez alguma coisa errada”.+6  Assim, depois de passar não mais do que oito ou dez dias entre eles, ele desceu a Cesareia e, no dia seguinte, se sentou no tribunal e mandou que trouxessem Paulo. 7  Quando Paulo entrou, os judeus que tinham descido de Jerusalém o rodearam, fazendo muitas acusações graves contra ele, que não podiam provar.+8  Mas Paulo disse em sua defesa: “Não cometi nenhum pecado contra a Lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.”+9  Festo, querendo ganhar o favor dos judeus,+ disse a Paulo, em resposta: “Você deseja subir a Jerusalém e ser julgado ali, diante de mim, a respeito dessas coisas?” 10  Mas Paulo disse: “Estou perante o tribunal de César, onde devo ser julgado. Não fiz nada de errado contra os judeus, como Vossa Excelência está percebendo muito bem. 11  Se eu sou realmente criminoso e fiz algo que mereça a morte, não me recuso a morrer;+ mas, se as acusações que esses homens fazem contra mim são infundadas, ninguém tem o direito de me entregar a eles como um favor. Apelo para César!”+12  Então, depois de falar com o grupo de conselheiros, Festo respondeu: “Você apelou para César, para César irá.”13  Depois de alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia para fazer uma visita de cortesia a Festo. 14  Visto que iam passar vários dias ali, Festo apresentou ao rei o caso de Paulo, dizendo:“Há um homem que Félix deixou como prisioneiro; 15  quando estive em Jerusalém, os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus me trouxeram informações sobre ele+ e pediram que ele fosse condenado. 16  Mas eu lhes respondi que não é procedimento romano entregar um acusado antes que ele se encontre face a face com os seus acusadores e tenha a oportunidade de se defender da acusação.+ 17  Assim, quando chegaram aqui, no dia seguinte sem demora sentei no tribunal e mandei que trouxessem o homem.18  Quando os acusadores se levantaram para falar, não o acusaram de nenhuma das coisas más que eu havia imaginado.+19  Eles simplesmente tinham divergências com ele sobre a sua própria religião*+ e sobre um homem chamado Jesus, que morreu, mas que Paulo insistia que estava vivo.+ 20  Sem saber como lidar com essa controvérsia, eu perguntei se ele gostaria de ir a Jerusalém e ser julgado ali a respeito dessas questões.+ 21  Mas, quando Paulo apelou para continuar em detenção e aguardar a decisão de Augusto,*+ mandei que ele ficasse preso até que eu o enviasse a César.”22  Então Agripa disse a Festo: “Eu mesmo gostaria de ouvir o homem.”+ “Amanhã o ouvirá”, disse ele. 23  Assim, no dia seguinte, Agripa e Berenice chegaram com grande pompa e entraram na sala de audiências, junto com comandantes militares e homens importantes da cidade. E, quando Festo deu a ordem, trouxeram Paulo. 24  Festo disse: “Rei Agripa e todos os aqui presentes, podem ver este homem a respeito de quem toda a comunidade judaica fez petições a mim, tanto em Jerusalém como aqui, gritando que ele não deveria mais viver.+ 25  Mas eu percebi que ele não tinha feito nada que merecesse a morte.+ Assim, quando ele mesmo apelou para Augusto, decidi enviá-lo. 26  Mas não tenho nada definido para escrever ao meu Senhor a respeito dele. Portanto, eu o trouxe diante dos senhores, e especialmente de Vossa Majestade, rei Agripa, para que, depois do interrogatório, eu tenha algo para escrever. 27  Pois não me parece razoável enviar um prisioneiro sem indicar também as acusações contra ele.”

26 Agripa+ disse a Paulo: “Você tem permissão de falar em seu favor.” Então Paulo estendeu a mão e começou a sua defesa:2  “No que se refere a todas as coisas de que sou acusado pelos judeus,+ rei Agripa, eu me considero feliz por ser diante de Vossa Majestade que hoje devo fazer minha defesa, 3  especialmente porque é conhecedor de todos os costumes e das controvérsias que há entre os judeus. Portanto, peço-lhe que me ouça com paciência.4  “Realmente, quanto à vida que levei desde a juventude, entre o meu povo* e em Jerusalém, todos os judeus+ 5  que me conhecem há muito tempo bem sabem que vivi como fariseu,+segundo a seita mais rigorosa da nossa religião;+ eles, se quiserem, podem dar testemunho disso. 6  Mas, por causa da minha esperança na promessa que Deus fez aos nossos antepassados,+agora estou sendo julgado; 7  é o cumprimento dessa mesma promessa que as nossas 12 tribos esperam ver, prestando a ele serviço sagrado intensamente, dia e noite. É por causa dessa esperança que estou sendo acusado pelos judeus,+ ó rei.8  “Por que os senhores acham* impossível crer que Deus levante os mortos? 9  Eu mesmo estava convencido de que devia combater de todas as formas o nome de Jesus, o Nazareno. 10  Foi exatamente isso que fiz em Jerusalém. Coloquei muitos santos na prisão,+ pois eu tinha recebido dos principais sacerdotes autoridade para isso;+ e, quando eles deviam ser executados, eu votava contra eles. 11  Em todas as sinagogas, muitas vezes eu os puni para tentar obrigá-los a renunciar à sua fé. Como eu estava extremamente furioso com eles, cheguei a persegui-los até mesmo em cidades afastadas.12  “Com esse objetivo eu estava viajando para Damasco, com plenos poderes e autoridade concedidos pelos principais sacerdotes.13  E na estrada, ó rei, ao meio-dia, vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhar em volta de mim e em volta dos que viajavam comigo.+ 14  Todos nós caímos no chão, e então ouvi uma voz me dizer em hebraico: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue? Ao resistir às aguilhadas,* você só faz mal a si mesmo.’15  E eu perguntei: ‘Quem é o senhor?’ E o Senhor respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você persegue. 16  Mas levante-se e fique de pé. Eu apareci a você para o escolher como servo e testemunha tanto das coisas que você viu como das coisas que lhe farei ver a meu respeito.+ 17  E eu o livrarei deste povo e das nações, a quem o envio+ 18  para lhes abrir os olhos,+ para convertê-los da escuridão+ para a luz+ e da autoridade de Satanás+ para Deus, de modo que recebam perdão de pecados+ e uma herança entre os santificados pela fé em mim.’19  “Portanto, rei Agripa, não desobedeci à visão celestial,20  mas, primeiro aos de Damasco,+ depois aos de Jerusalém+ e de toda a região da Judeia, e também às nações, levei a mensagem de que deviam se arrepender e se converter a Deus, praticando obras próprias do arrependimento.+ 21  É por isso que os judeus me agarraram no templo e tentaram me matar.+ 22  No entanto, visto que Deus tem me ajudado, continuo até hoje a dar testemunho tanto a pequenos como a grandes, e não digo nada além do que os Profetas e Moisés declararam que ia acontecer:+ 23  que o Cristo haveria de sofrer+ e, como primeiro a ser ressuscitado dentre os mortos,+ proclamaria a luz tanto a este povo como às nações.”+24  Enquanto Paulo falava em sua defesa, Festo disse bem alto: “Você está ficando louco, Paulo! Seu grande saber o está levando à loucura!” 25  Mas Paulo respondeu: “Não estou ficando louco, Excelentíssimo Festo, mas estou dizendo palavras de verdade e de bom senso. 26  Na realidade, o rei a quem estou falando com franqueza conhece muito bem tudo isso; estou convencido de que nem uma única dessas coisas lhe passou despercebida, porque nada disso foi feito em segredo.+ 27  Crê nos Profetas, rei Agripa? Sei que crê.” 28  Mas Agripa disse a Paulo: “Em pouco tempo você me persuadiria a me tornar cristão.” 29  Então, Paulo respondeu: “Eu peço a Deus que, quer em pouco quer em muito tempo, não somente Vossa Majestade, mas também todos os que hoje me ouvem, se tornem como eu, mas sem estas correntes que me prendem.”30  Assim o rei se levantou, bem como o governador, Berenice e os homens sentados com eles. 31  E, ao saírem, comentavam entre si: “Esse homem não faz nada que mereça a morte ou a prisão.”+32  Então Agripa disse a Festo: “Esse homem poderia ter sido solto se não tivesse apelado para César.”+

Fonte: Bíblia On Line - http://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia/nwt/livros/atos/26/

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Do Livro Jesus no Lar

Francisco Cândico Xavier pelo Espírito Néio Lúcio

13
O revolucionário sincero


No curso das elucidações domésticas, Judas conversava, entusiástico, sobre as anomalias na governança do povo, e, exaltado, dizia das probabilidades de revolução em Jerusalém, quando o Senhor comentou, muito calmo:
— Um rei antigo era considerado cruel pelo povo de sua pátria, a tal ponto que o principal dos profetas do reino foi convidado a chefiar uma rebelião de grande alcance, que o arrancasse do Trono. O profeta não acreditou, de início, nas denúncias populares, mas a multidão insistia. “O rei era duro de coração, era mau
senhor, perseguia, usurpava e flagelava os vassalos em todas as direções”, clamava-se desabridamente.

Foi assim que o condutor de boa fé se inflamou, igualmente, e aceitou a ideia de uma revolução por único remédio natural e, por isso, articulou-a em silêncio, com algumas centenas de companheiros decididos e corajosos. Na véspera do cometimento, contudo, como possuía segura confiança em Deus, subiu ao topo dum monte e rogou a assistência divina com tamanho fervor que um Anjo das Alturas lhe foi enviado para confabulação de espírito a espírito. À frente do emissário sublime, o profeta acusou o soberano, asseverando quanto sabia de oitiva e suplicando aprovação celeste ao plano de revolta renovadora. O mensageiro anotou-lhe a sinceridade, escutou-o com paciência e esclareceu: “Em nome do Supremo Senhor, o projeto ficará aprovado, com uma condição. Conviverás com o rei, durante cem dias consecutivos, em seu próprio palácio, na posição de servo humilde e fiel, e, findo esse tempo, se a tua consciência perseverar no mesmo propósito, então lhe destruirás o trono, com o nosso apoio”. O chefe honesto aceitou a proposta e cumpriu a determinação. Simples e sincero, dirigiu-se à casa real, onde sempre havia acesso aos trabalhos de limpeza e situou-se na função de apagado servidor; no entanto, tão logo se colocou a serviço do monarca, reparou que ele nunca dispunha de tempo para as menores obrigações alusivas ao gosto de viver. Levantava-se rodeado de conselheiros e ministros impertinentes, era atormentado por centenas de reclamações de hora em hora. Na qualidade de pai, era privado da ternura dos filhos; na condição de esposo, vivia distante da companheira. Além disso, era obrigado, frequentemente, a perder o equilíbrio da saúde física, em vista de banquetes e cerimônias, excessivamente repetidos, nos quais era compelido a ouvir toda a sorte de mentiras da boca de súditos bajuladores e ingratos. Nunca dormia, nem se alimentava em horas certas e, onde estivesse, era constrangido a
vigiar as próprias palavras, sendo vedada ao seu espírito qualquer expressão mais demorada de vida que não fosse o artifício a sufocar-lhe o coração. O orientador da massa popular reconheceu que o imperante mais se assemelhava a um escravo, duramente condenado a servir sem repouso, em plena solidão espiritual, porquanto o rei não gozava nem mesmo a facilidade de cultivar a comunhão com Deus, por
intermédio da prece comum. Findo o prazo estabelecido, o profeta, radicalmente transformado, regressou ao monte para atender ao compromisso assumido, e, notando que o Anjo lhe aparecia, no curso das orações, implorou-lhe misericórdia para o rei, de quem ele agora se compadecia sinceramente. Em seguida, congregou o povo e notificou a todos os companheiros de ideal que o soberano era, talvez, o 
homem mais torturado em todo o reino e que, ao invés da suspirada insubmissão, competia-lhes, a cada um, maior entendimento e mais trabalho construtivo, no lugar que lhes era próprio dentro do país, a fim de que o monarca, de si mesmo tão escravizado e tão desditoso, pudesse cumprir sem desastres a elevada missão de que fora investido. E, assim, a rebeldia foi convertida em compreensão e serviço. 

Judas, desapontado, parecia ensaiar alguma ponderação irreverente, mas o Mestre Divino antecipou-se a ele, falando, incisivo: 

— A revolução é sempre o engano trágico daqueles que desejam arrebatar a outrem o cetro do governo. Quando cada servidor entende o dever que lhe cabe no plano da vida, não há disposição para a indisciplina, nem tempo para a insubmissão.  

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