GEE Francisco de Assis

08 Pedro.mp3

Estudo do Evangelho a luz da Doutrina Espírita.

Preocupação e Ansiedade (Mt 6:25-34, 19-21) - Livro de Lucas 12:22-12:34

 Tradução de Haroldo Dutra Dias 

12:22 E disse aos seus discípulos: Por isso, eu vos digo: Não vos inquieteis1 pela vida, com o que comereis; nem pelo corpo, com o que vestireis. 12:23 Pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que a veste. 12:24 Observai2 os corvos3 que não semeiam nem ceifam; os quais não têm despensa4 nem celeiro, mas Deus os alimenta. Quanto mais valeis5 vós do que as aves? 12:25 Qual dentre vós pode, inquietando-se, acrescentar um côvado6 à sua estatura7? 12:26 Portanto, se não podeis o mínimo, por que vos inquietais a respeito do restante? 12:27 Observai os lírios como crescem! Não labutam8 nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, vestiu-se como um deles. 12:28 Se a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, Deus assim (as) veste, quanto mais a vós, (homens) de pouca fé. 12:29 Também vós, não indagueis9 o que comer, o que beber; não estejais inquietos. 12:29 Pois estas coisas as nações do mundo buscam, mas vosso Pai celestial sabe que necessitais disto. 12:31 Todavia, buscai primeiramente o Reino Dele, e estas (coisas) vos serão acrescentadas. 12:32 Não temais, pequeno rebanho, porque vosso Pai se compraz10 em vos dar o Reino. 12:33 Vendei os vossos bens e11 dai dádiva12. Fazei para vós bolsas13 que não envelhecem14, um tesouro inesgotável nos céus, onde os ladrões não se aproximam, nem a traça destrói. 12:34 Pois onde está o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.


 

Do Livro Jesus no Lar - Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Néio Lucio


21

O rico vigilante

Tiago, o mais velho, em explanação preciosa, falou sobre as ânsias de

riqueza, tão comuns em todos os mortais, e, findo o interessante debate doméstico,

Jesus comentou sorridente:

— Um homem temente a Deus e consagrado à retidão, leu muitos

conselhos alusivos à prudência, e deliberou trabalhar, com afinco, de modo a reter

um tesouro com que pudesse beneficiar a família. Depois de sentidas orações,

meteu-se em várias empresas, aflito por alcançar seus fins. 

E, por vinte anos consecutivos, ajuntou moeda sobre moeda, formando o patrimônio de alguns

milhões. Quando parou de agir, a fim de apreciar a sua obra, reconheceu, com

desapontamento, que todos os quadros da própria vida se haviam alterado, sem que

ele mesmo percebesse. O lar, dantes simples e alegre, adquirira feição sombria. A

esposa fizera - se escrava de mil obrigações destinadas a matar o tempo; os filhos

cochichavam entre si, consultando sobre a herança que a morte do pai lhes

reservaria; a amizade fiel desertara; os vizinhos, acreditando-o completamente feliz,

cercaram-no de inveja e ironia; as autoridades da localidade em que vivia

obrigavam-no a dobradas atitudes de artifício, em desacordo com a sinceridade do

seu coração. Os negociantes visitavam-no, a cada instante, propondo-lhe

transações criminosas ou descabidas; servidores bajulavam-no, com declarado fingimento

quando ao lado de seus ouvidos, para lhe amaldiçoarem o nome, por trás de portas

semicerradas. Em razão de tantos distúrbios, era compelido a transformar a

residência numa fortaleza, vigiando-se contra tudo e contra todos. Sobravalhe

tempo, agora, para registrar as moléstias do corpo e raramente passava algum dia

sem as irritações do estômago ou sem dores de cabeça. Em poucas semanas de

meticulosa observação, concluiu que a fortuna trancafiada no cofre era motivo de

desilusões e arrependimentos sem termo. Em certa noite, porque não mais tolerasse

as preocupações obcecantes do novo estado, orou em lágrimas, suplicando a

inspiração do Senhor. Depois da comovente rogativa, eis que um anjo lhe aparece na

tela evanescente do sonho e lhe diz, compadecido: “Toda fortuna que corre, à

maneira das águas cristalinas da fonte, é uma bênção viva, mas toda riqueza, em

repouso inútil, é poço venenoso de águas estagnadas... Por que exigiste um rio,

quando o simples copo d’água te sacia a sede? Como te animaste a guardar, ao redor

de ti, celeiros tão recheados, quando alguns grãos de trigo te bastam à refeição? Que

motivos te induziram a amontoar centenas de peles, em torno do lar, quando alguns

fragmentos de lã te aquecem o corpo, em trânsito para o sepulcro?... Volta e

converte a tua arca de moedas em cofre milagroso de salvação! Estende os júbilos

do trabalho, cria escolas para a sementeira da luz espiritual e improvisa a alegria a

muitos! Somente vale o dinheiro da Terra pelo bem que possa fazer!” Sob indizível

espanto, o caçador de outro despertou transformado e, do dia seguinte em diante,

passou a libertar as suas enormes reservas, para que todos os seus vizinhos tivessem

junto dele, as bênçãos do serviço e do bom ânimo... Desde o primeiro sinal de

semelhante renovação, a esposa fixou-o com estranheza e revolta, os filhos odiaram-no

e os seus próprios beneficiados o julgaram louco; todavia, robustecido e feliz, o

milionário vigilante voltou a possuir no domicílio um santuário aberto e os gênios da

alegria oculta passaram a viver em seu coração.

Silenciando o Mestre, Tiago, que comandava a palestra da noite, exclamou,

entusiasta: — Senhor, que ensinamento valioso e sublime!...

Jesus sorriu e respondeu: 

— Sim, mas apenas para aqueles que tiverem “ouvidos de ouvir” e “olhos

de ver”.

  

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